Basta, Basta, Basta! Não aguento mais viver neste mundo, porque nós, seus habitantes, orgulhosamente, ostentamos o título de racionais, quando somos mais irracionais que os próprios. Explico-me: de que nos serve, afinal, ter chegado ao século vinte e um com tantas conquistas, se ainda estamos, vergonhosamente, aprisionados por essa teia de preconceitos que a nossa ignorância construiu? Nós construímos, graças a esses preconceitos, abismos imensos que separam os seres humanos, colocando-os, em lugares que impossibilitam a própria razão de ser da humanidade:

viver como irmãos! Catalogar todos esses convencionalismos é tarefa impossível, tamanho é o seu volume. Tenho que contentar-me com alguns exemplos: negro, judeu, estrangeiro, homossexual, ignorante, etc. etc. O leitor, pacientemente, acrescentará à lista mais centenas de rótulos. Esses adjetivos, mais do que execráveis, são um retorno inconsciente ao passado, hoje supostamente ultrapassado. O ser humano é apenas um ser humano igual a todos, em que pesem as mais diferentes particularidades que ostenta, pois, tais particularidades, é mister ter sempre em mente, tornar-se-ão, bem como toda a nossa querida matéria-corpo, simplesmente em pó. O que sobrevive, que deveria ser cuidado, é relevado a plano secundário, ignorado, até. Deixar-se levar pela cultura material, entregando-se às ilusões do mundo é naufragar o barco da vida sem sentir-lhe nem o valor, nem os prazeres que ela poderia nos proporcionar. Nosso caminho no mundo se de fato queremos exemplificar uma conduta digna de um ser humano racional, é mais simples do que supomos: basta conviver com todos encarando-os apenas como seres humanos, dispensando, definitivamente, qualquer enfeite. Estamos vivendo um novo tempo, durante o qual é impossível ignorar que algum progresso espiritual deve ter havido, razão pela qual está mais do que na hora de honrar nossa origem divina.
Em tempo: Gostaria muito que o leitor não me considerasse apenas um pessimista de plantão. Sigo essa linha de pensamento pelo fato de acreditar que estamos ocultando o que realmente somos: criaturas “desenhadas” pelo Criador. À medida que formos nos libertando dos vícios que as convenções sociais nos impuseram ao longo dos séculos, viveremos nossa natureza em todo o seu potencial.

 Luiz Santantonio
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