Como nós, apesar de estarmos em pleno século vinte e um, ainda não encontramos o caminho para a felicidade, recorremos sempre a uma busca, como se ela estivesse muito distante. Dessa forma não nos resta outro caminho senão o da ilusão. Assim, vivemos permanentemente atrelados a ilusões momentâneas, a tapa-buracos.
O leitor, por certo, já conhece o velho clichê que afirma – pelo menos em nosso querido Brasil – que o novo ano só começa pra valer, depois do carnaval. Afinal, por que insistimos que antes do carnaval há um sentimento de que as coisas não funcionam? Porque essa festa popular nos conduz a um período de liberdade, durante o qual nos livramos da dura realidade da vida e podemos, nesse breve intervalo,

“botar pra quebrar”. Tanto é verdade que durante o “reinado de Momo” muita gente mergulha na bizarrice, sem nenhum pudor, como se fosse a coisa mais natural do mundo. É a oportunidade que propicia a fuga da realidade, detonando todos os preconceitos: não há mais pobres e ricos, negros e brancos, bonitos e feios, etc., etc. Durante esses três dias de vale tudo a humanidade nos dá uma amostra (com as naturais ressalvas) de como nossa sociedade deveria funcionar: com absoluta igualdade entre todos. Por outro lado, como pode parecer, não estou condenando essa festa popular; desejaria, na verdade, que ela não se constituísse em mais um reduto de fuga do que apenas e somente em um período de diversão genuína.
Peço perdão ao leitor se aproveitei o carnaval como introdução a outros pontos que julgo oportunos levar em conta; minha longa experiência de vida todavia, não se cansa de demonstrar que nós ainda não encontramos o caminho para alcançar a tão sonhada felicidade, e, como conquistá-la? como fazê-lo se nem sequer sabemos o que significa? O que se “conhece”, a pretexto de felicidade, são pobres ilusões consumistas, marteladas dia e noite em nossa cabeça, sem nunca nos satisfazer. O problema maior é que nos esquecemos de que o tempo nos é indiferente; ele não interfere nem analisa nossas decisões. Peço desculpas ao leitor pela digressão, porém, meu interesse, acima de tudo é tentar ser útil. Por fim, não deixe de aproveitar o descanso oferecido pelo carnaval. Tenho certeza de que você, que é assíduo leitor de minhas crônicas, saberá fazê-lo com sabedoria.

Luiz Santantonio
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