Nós, humanos, somos espertos (?); e, com justa razão, chamados de reis da Criação. Essa esperteza, todavia, tendo em vista nossa insegurança de como viver, caminha em direção contrária aos nossos reais interesses. Se, insistirmos em viver dentro dessa contradição, de que nos vale o orgulho por tudo que chamamos de progresso? Se, de fato o período em que vivemos é de progresso, por que nunca conseguimos ser felizes?

Essa é, com certeza, a mais difícil das perguntas, porque cada pessoa analisa a questão sob seu ponto de vista, ponto esse, profundamente assentado na forma como a interpreta, mas a verdade é que ninguém sabe para que está vivendo, não tem alvo, a não ser o desejo de distanciar-se da insegurança e da solidão. O sofrimento comum é o alheamento de si mesmo, do seu semelhante e da natureza; a percepção de que a vida se escoa como a areia por entre os dedos da mão e que um dia morreremos sem ter vivido, que vivemos no meio da abundância e, contudo, não conhecemos a alegria.

...no rosto um vento fresco, acompanhado de uma garoa fina, que me provocou uma lembrança suave e ao mesmo tempo triste, de um tempo que passou. Esse momento, rápido e fugaz, aflorou ao consciente, causando-me, com aquela garoa fina, uma saudade profunda e aconchegante, em que nossa cidade era chamada de “São Paulo da garoa”.

Família: linhagem de pessoas ligadas por fortes laços de parentesco, sangue, raça etc. É o lugar em que se formam os laços familiares, berço do amor e da fraternidade, outrora denominada de "a alma mater da sociedade". A propósito: dia desses, numa "reunião em família" na casa de um amigo, a conversa bateu na tecla de como funcionam as famílias. Surpreendentemente, a conclusão foi unânime: não há lugar em que a hipocrisia, o desamor, a ganância, proliferam, com tanta liberdade.

O mundo já passou (passou?) por épocas difíceis: guerras, epidemias, desastres naturais, etc. Porém, à medida que o tempo passa, confiantes de que estamos evoluindo, nossa esperança sonha sempre com tempos melhores. Infelizmente, essa expectativa tem se revelado negativa. Estamos assistindo, atônitos, ao recrudescimento da violência, da corrupção, do descaso criminoso na manutenção de um consumismo que, impiedosamente, qual um tsunami, devasta o planeta, sem que os dirigentes dos países, apesar da evidência de um desastre global, limitam-se a “resolver” o problema, por meio de conferências, impregnadas da mais deslavada hipocrisia. Diante desse quadro, é natural que a humanidade se sinta perdida, porque não sabe em quem confiar. É natural, pois, que o pessimismo evolua e desgaste o pouco otimismo que ainda resiste ao que se divisa no horizonte.

Inevitavelmente, ao se iniciar um novo ano o mundo repete com o mesmo tom enfadonho a clássica promessa de construir uma vida nova. Que tal mudar um pouco e dar os primeiros passos juntos? É hora de refletir: até quando vai durar o nosso ensaio de vida? Já não está na hora de viver nosso papel? Essa indecisão terminará, mesmo que não seja de nossa vontade. Ao se abrir a cortina diante da realidade, e caso a oportunidade seja perdida, como nos sentiremos diante da derrota?
Peço ao leitor que medite a respeito do seguinte: durante nossa vida sofremos repetidas lavagens cerebrais que insidiosamente nos fazem crer que a condução de nossa vida não é obra nossa, e sim, de fatores externos, (destino, vontade divina, etc.).