...no rosto um vento fresco, acompanhado de uma garoa fina, que me provocou uma lembrança suave e ao mesmo tempo triste, de um tempo que passou. Esse momento, rápido e fugaz, aflorou ao consciente, causando-me, com aquela garoa fina, uma saudade profunda e aconchegante, em que nossa cidade era chamada de “São Paulo da garoa”.

Família: linhagem de pessoas ligadas por fortes laços de parentesco, sangue, raça etc. É o lugar em que se formam os laços familiares, berço do amor e da fraternidade, outrora denominada de "a alma mater da sociedade". A propósito: dia desses, numa "reunião em família" na casa de um amigo, a conversa bateu na tecla de como funcionam as famílias. Surpreendentemente, a conclusão foi unânime: não há lugar em que a hipocrisia, o desamor, a ganância, proliferam, com tanta liberdade.

O mundo já passou (passou?) por épocas difíceis: guerras, epidemias, desastres naturais, etc. Porém, à medida que o tempo passa, confiantes de que estamos evoluindo, nossa esperança sonha sempre com tempos melhores. Infelizmente, essa expectativa tem se revelado negativa. Estamos assistindo, atônitos, ao recrudescimento da violência, da corrupção, do descaso criminoso na manutenção de um consumismo que, impiedosamente, qual um tsunami, devasta o planeta, sem que os dirigentes dos países, apesar da evidência de um desastre global, limitam-se a “resolver” o problema, por meio de conferências, impregnadas da mais deslavada hipocrisia. Diante desse quadro, é natural que a humanidade se sinta perdida, porque não sabe em quem confiar. É natural, pois, que o pessimismo evolua e desgaste o pouco otimismo que ainda resiste ao que se divisa no horizonte.

Inevitavelmente, ao se iniciar um novo ano o mundo repete com o mesmo tom enfadonho a clássica promessa de construir uma vida nova. Que tal mudar um pouco e dar os primeiros passos juntos? É hora de refletir: até quando vai durar o nosso ensaio de vida? Já não está na hora de viver nosso papel? Essa indecisão terminará, mesmo que não seja de nossa vontade. Ao se abrir a cortina diante da realidade, e caso a oportunidade seja perdida, como nos sentiremos diante da derrota?
Peço ao leitor que medite a respeito do seguinte: durante nossa vida sofremos repetidas lavagens cerebrais que insidiosamente nos fazem crer que a condução de nossa vida não é obra nossa, e sim, de fatores externos, (destino, vontade divina, etc.).

Nos dias de hoje, a resposta deixou de ser uma coisa banal, uma vez que as novas gerações não lhe entendem a origem. Conto-lhes, pois, uma historieta interessante, uma pequena amostra da ação do tempo.
Certo cidadão caminhava de volta para casa, preocupado, exatamente, com a questão natalina porque seu filho de cinco anos, muito esperto e muito vivo, (como são as crianças de hoje) não lhe dava folga; queria saber tudo de tudo, deixando-o em situação difícil.

Em nossa época, a maioria dos países procura incentivar o turismo, não exatamente para que os estrangeiros conheçam as belezas do país visitado, mas sim, e preferencialmente, porque essa prática tem se revelado como uma das mais eficazes maneiras de arrecadar dinheiro. Essa avidez para laçar turistas, como tudo no mundo, visa somente o lucro que a horda turística carreia para o país visitado. Enquanto, perifericamente, o assunto é dinheiro, renda, tudo maravilhoso, porém, quando se capitalizam os estragos produzidos por eles, a visão desse espetáculo muda de figura. Tanto é verdade, que, praticamente, em todos os lugares onde o turismo prolifera, o trabalho dos encarregados da ordem do lugar não dão conta de vigiar locais mais visitados, bem como a fauna e a flora, porque a fúria turística invade tudo e está sempre pronta para rabiscar, quebrar, pescar onde é proibido, deixar um rastro de lixo por onde passa. Somos vítimas de uma espécie de xenofobia inconsciente que consiste em não respeitar os lugares por onde passeamos, simplesmente, por não fazerem parte de nosso país, ou algo assim.