Um abraço apertado, e um: “desculpa qualquer coisa.”
Foi assim que me despedi da minha sogra no último feriado.
Para mim, “um desculpa qualquer coisa”, vem carregado de tanta coisa boa:
Deve ter um pedacinho de “espero que tenha gostado”,
Um punhado de “vou sentir saudade”,
E uma boa dose de, “se não gostou de alguma coisa, vai desculpando mas, volta, tá?”
Lembrei-me também das minhas visitas ao Paraná quando ainda era pequena.
A gente se despedia chorando, na soleira da casa da tia Maria, e começava:
- Vai com Deus, fia.

- Fica com Ele, tia.
No peito, a certeza de que Ele se dividia mesmo, indo um pouquinho com a gente na estrada, e ficando um pouquinho com eles lá na roça.
E lá na horta da tia Aparecida?
Só fui pedir umas folhinhas de couve pro almoço.
Voltei com alface, banana da terra, acerola e hortelã.
- Tá ótimo, tia! Fiz a feira aqui na sua horta!
- Que isso, fia. Foi de gosto.
Consegui sentir a alegria dela em dividir um pouquinho do orgulho pelo trabalho na horta, e do amor que ela sente por nós.
Certa vez, estava pagando a conta num restaurante quando uma senhora me olhou, apontando para o meu barrigão de 9 meses:
- Para quando, moça?
- Para qualquer momento, disse sorrindo.
Ela me olhou no fundo dos olhos e disse:
Que Deus te dê uma boa hora!
Uma força imensa, acompanhada de uma leveza incrível, tomou conta do meu peito.
“Que Deus te dê uma boa hora...”
No auge do parto, quando emoção e exaustão competiam, me lembrei daquela senhora. Fechei os olhos e roguei a Deus a força de todas as mulheres que pariram, antes de mim. E Ele me deu uma boa hora...
Bem. Espero que me perdoem o falatório e que possam ir desculpando qualquer coisa, viu? Afinal, foi de muito gosto dividir esse pensamento com vocês.


Nane Feliciano
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