Basta, Basta, Basta! Não aguento mais viver neste mundo, porque nós, seus habitantes, orgulhosamente, ostentamos o título de racionais, quando somos mais irracionais que os próprios. Explico-me: de que nos serve, afinal, ter chegado ao século vinte e um com tantas conquistas, se ainda estamos, vergonhosamente, aprisionados por essa teia de preconceitos que a nossa ignorância construiu? Nós construímos, graças a esses preconceitos, abismos imensos que separam os seres humanos, colocando-os, em lugares que impossibilitam a própria razão de ser da humanidade:

Aqui o sentido de “viver” não é o de estar vivo; é compreender ou buscar o verdadeiro sentido da Vida. Neste trabalho, para melhor entender meu ponto de vista, essa expressão “não é para amadores” utiliza o que se usa no dia a dia, ou seja: tarefas importantes exigem profissionais e não amadores.
Nosso mundo não perdoa incompetência. Tem muitas razões, principalmente quando se trata de tarefas em que vidas humanas dependem do preparo de quem as realiza;(pilotos de aeronaves; cirurgiões, são os exemplos mais marcantes).

Nós vivemos de tal sorte distraídos, que nunca pensamos de que forma estamos conduzindo nossa vida, por isso faço a pergunta: afinal, estamos vivendo ou apenas vegetando? Será que nossa maneira de viver permite a existência dessa dúvida? Antes de qualquer coisa, pergunto: nós já conseguimos vislumbrar o que significa estar no mundo com a possibilidade de conhecer “ao vivo” toda a grandiosa obra da criação? De usufruir tudo o que existe para crescer, para nos tornar criaturas evoluídas, bem além desse conhecimento pequenino que nos condiciona a nascer, viver e morrer? Pois bem, nossa trajetória, tendo em vista esse enfoque deveria nos impedir de nos acomodar depois de um certo tempo de vida; por exemplo: por que nos ensinam que a pessoa depois de uma certa idade, deve acomodar-se na poltrona e deixar a vida ativa para os outros? Qual a razão de permitir que a vida perca o brilho somente porque a idade avançou?

Dia desses recebemos um telefonema de uma das filhas de nossa diarista, informando que sua mãe não comparecera ao trabalho por estar acamada, vítima de forte gripe. Pediu, também, que lhe adiantássemos o pagamento para comprar remédios. Confesso que não desconfiei do pedido e, prontamente me prontifiquei em levar o dinheiro, diretamente, à “casa” dela, local já conhecido por nós. O leitor percebeu, com certeza, porque a palavra casa foi aspada (entre aspas). A casa consistia num único cômodo, que reunia tudo o que se encontra em uma casa normal: cozinha, banheiro, quarto, etc.

Por que tanto medo? Essa é a marca de nossa vida neste mundo conturbado onde vivemos. Cercar nossa residência de grades a pretexto de segurança é perfeitamente justificável. O que me importa, na verdade, é a outra grade, a da alma. Explico: Somos criaturas humanas, criadas com absoluta igualdade: irmãos, portanto. Essa, pelo menos é a conversa que anda de boca em boca. Nós não vivemos como iguais; cada qual – pelo atraso espiritual– tem por objetivo número um, resguardar-se ao máximo; conservar sua verdadeira personalidade oculta. Essa maneira de viver enfraquece sobremaneira o conceito de que “somos todos irmãos”.

Esse foi o título de uma reportagem de um jornal, mês passado. Trata-se de um restaurante em Londres, no qual as pessoas fazem suas refeições, completamente, despidas. Não se trata como à primeira vista dá a entender, de um local para jovens rebeldes, ou coisa que o valha, pelo contrário: é frequentado por gente de bom nível social e endinheirada. Há muitos pormenores com relação a certos momentos em que o restaurante exige alguma cobertura para o cliente se movimentar, porém a aventura começa por deixar a roupa pendurada no vestiário, antes de adentrar, nos salões do restaurante.
Se compreender a vida já era difícil, em nossa era a dificuldade atingiu o impossível.